ELAM- Escola Livre de Artesanato Mineiro homenageia as Guardiãs da Memória Local, lança a marca "Oco do Barroco" e sonha com o Museu do Artesanato e Cultura Popular do Bairro Santa Ruth.



 


A ELAM- Escola Livre de Artesanato Mineiro é um espaço democrático de cursos livres para capacitação e atualização em artesanato e cultura local, funcionando assim, não só como polo criativo, mas de educação popular. 

Configura-se em um contexto de atenção especial às  Guardiãs da Memória Local que, em seus acervos domésticos e ações comunitárias, acumularam saberes e fazeres, muitas vezes distantes do discurso. No silêncio. Antes da fala...

Esculpiram dentro das próprias famílias e das comunidades em que atuam em várias frentes. 

A missão da ELAM é valorizar mulheres que, na infância e adolescência, não tiveram acesso ao saber formal das escolas. Este privilégio estava restrito às elites e aos homens de algumas famílias. 

Mas, a capacidade de resistir aglutinou cada saber vivido e sonhado em consciência de cultuar a educação para a gentileza, a delicadeza do artesanato, da culinária para o servir. Assim, nesta escola livre, oficializa-se a gratidão por tudo que fizeram em seus mais de 60, 70, 80, 90 anos de vida. 




 

Como visão, a ELAM, que é uma iniciativa do Clube de Mães do Santa Ruth de Itabira, MG,  criará o Museu do Artesanato e Cultura Popular do Bairro Santa Ruth. Este sempre existiu em um espaço sagrado, do patrimônio intangível e será concretizado até 2025. Já foi iniciada uma mobilização de casa em casa, de boca em boca, de mãe em mãe... Assim, garantir para as futuras gerações, o local de pertencimento e identidade local, próximo.

Mas, como chegar lá? Voltando ao início, quando ainda no século XX, mulheres visionárias criaram o Clube de Mães do bairro traçaram este itinerário, pavimentaram a estrada que, hoje, é de todos os moradores do bairro e da cidade. Todos os moradores se beneficiam da ação solidária, política e social de mulheres como Dona Geralda, Dona Nair, Dona Maria de Lourdes e muitas mais.

Voltando, ainda, um pouco mais, nos séculos XVI, XVII , XVIII e XIX na história da ocupação de Minas Gerais, "fuçando" nossas raízes e compreendendo nossa história.

 


Líderes comunitárias e Elmara convidada especial no Mês da Mulher

O público-alvo da ELAM  é formado por moradores(as) de bairros periféricos e de zona rural de Itabira e Região, com o objetivo de orientar e auxiliar na geração de renda, principalmente, para mulheres com mais de 40 anos. 

 



Esta iniciativa está alinhada com o Projeto Clube Mães Escritoras 50+ e a Expocriativa: Feira Feminina de Produtos Holísticos e Criatividade, já conhecida como “Feirinha de Artesanato do Santa Ruth” que ocorre, mensalmente, no segundo domingo, das 9h às 14h





 

A  implementação ocorreu no dia 1º de março de 2023, na presença de membros da Diretoria do Clube de Mães Santa Ruth , de representantes da Amorita- Associação Comunitária Rural dos Moradores da Microrregião do Vale do Rio Tanque,  e as artesãs do bairro e outras localidades, como Elmara dos Reis do Juca Batista e familiares.






 

A atividade está documentada no Livro de Atas, página 38 e corrobora com o Estatuto Social do Clube de Mães Santa Ruth, em seu artigo 3 “Das Finalidades”, nos itens abaixo:

a)      promover o congraçamento e estimular a solidariedade entre os associados, encontros de mães na comunidade, para discussão sobre a formação dos filhos, fortalecendo a instituição familiar;

g)   articular-se com o comércio e a indústria locais, objetivando estimular seu

     desenvolvimento;

j)   manter contato, firmar convênios e colaborar com outras entidades similares;

l)   desenvolver programas de geração de renda familiar;

p)  desenvolver programas de apoio à terceira idade e/ou melhor idade;

r)   desenvolver programas de orientação para pequenos negócios;

 Março e abril serão meses cruciais para garantir aprendizado de qualidade. Veja a agenda de atividades:

Dentro do Curso de História da Arte "Rosarinho, meu tesouro, presença singela do Barroco em Itabira", já registrado em seus direitos autorais, criaremos peças para  a marca "Oco do Barroco" em que o oco é o útero. Três características definem a coleção: 

1-SUSTENTÁVEL

2- COLECIONÁVEL 

3-ALTO VALOR AGREGADO. 

O próprio desafio da Concepção do Novo, do berço da criação, da folha em branco que, ao invés de reprimir, ativará o SER CRIATIVO de cada artesã. 

Oco do Barroco

 

O que vejo? Que percepção tenho? O que lembro? O que desejo criar para colaborar para um futuro melhor? 

Do carro de bois ao  Pico do Cauê, da figura do Santo do Pau Oco à força da fé expressada pelos Marujeiros por Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, das Irmandades e Corporações de ofício, do masculino, da arquitetura, da engenharia,  às criações dentro do ambiente doméstico e seu fino artesanato que enfeitava um oratório, cobre os padres e os altares com seus paramentos. Do imaginário pela dor até o momento da sublimação.

 A jornada do herói de Cristo, de sua concepção à Ressurreição, em todos os passos a celebração do que fica que fica, da riqueza intangível e a reflexão sobre os benefícios e desafios da exploração do minério de ferro, transportada às lembranças, aos contornos e traços da paisagem do passado e do presente e à alegria de preservar a identidade local, com consciência do acolhimento da história possível,  ao mundo real e ao empoderamento de reescrever a própria história. 

Só o feminino saudável e sagrado pode ter este olhar generoso e criar uma marca, com amor, sem rancor. Na iconografia, o terço feito da planta "lágrimas de Nossa Senhora", a paisagem lembrada, vivida e futura, as conquistas, vestígios do Barroco e do Rococó do Rosarinho e muito mais...


Por Lucia Tania Augusto

Consultora Criativa, Palestrante e Proprietária da Escola Portátil de Oratória- Epocriativa.



Belo Horizonte, 16 de março de 2023.


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